Até 2018, a gente não sabia como se tornar nômade digital. Desejo, a gente tinha de sobra — assim como nutríamos a vontade de montar uma banda ou apresentar o Jornal Nacional.
A diferença para esses e outros sonhos é que a gente já tinha um trabalho remoto, na época. E descobrimos que era possível trabalhar de qualquer lugar com aquilo que a gente fazia.
Até por isso, nunca passou pela nossa cabeça ser o casal que “larga tudo para viajar o mundo”. Com planejamento e foco nesse objetivo, entendemos que era possível ser nômade digital sem que a jornada tivesse uma carinha insegura de aposta, sabe?
Se queríamos transformar a viagem pelo mundo em rotina, a gente precisava virar nômade com segurança. Para isso, encontramos no trabalho remoto a base para compor nossa renda.
E vamos explicar para você como isso funciona! Vem com a gente descobrir como se tornar nômade digital também!
O que é um nômade digital?
A pandemia impulsionou o trabalho remoto no mundo inteiro, e o Brasil não foi exceção. Algo em torno de 9 milhões de pessoas aderiram ao modelo de trabalho durante as fases críticas de isolamento social no país.
Com a retomada do turismo nacional e internacional, a possibilidade de trabalhar remotamente e levar casa e carreira no mochilão também aumentou. O Brasil, inclusive, já se movimentou para regulamentar o visto temporário para nômades digitais por aqui.
Mas por quê? O que é um nômade digital, afinal de contas?
O nômade digital é aquele que executa suas tarefas profissionais sem a necessidade de estar dentro do escritório, e que deseja estar em movimento. Ou seja: ele não precisa estar na mesma cidade da empresa e tampouco no mesmo fuso horário dos gestores.
O trabalho on-line ampliou, literalmente, os horizontes de quem cansou da limitada vista do escritório. Pois existem diversas profissões para o nômade digital, atualmente, graças aos atuais recursos tecnológicos e a essa virada de chave nas estruturas corporativas.
E como se tornar nômade digital?
Pra embarcar no nomadismo digital, a gente se planejou por um ano, mais ou menos.
Foi o tempo que levamos pra tirar do papel a ideia de ser nômade digital. E começamos rabiscando perguntas que precisavam de respostas antes de comprarmos nossa primeira passagem como nômades digitais — e que nos levou até Tóquio, lá em março de 2019!
Essas foram as questões que fizemos para entender como se tornar nômade digital dentro do nosso planejamento:
- Quais cidades e países vamos conhecer?
- Esses locais têm infraestrutura para trabalhar remotamente?
- Qual é a média mensal de renda que precisamos?
- Quanto precisamos acumular para uma reserva de emergência financeira?
- É possível adaptar a rotina de trabalho nesses lugares?
- O que vamos levar nas mochilas — e qual é o melhor mochilão para esse tipo de viagem?
Complemente a lista acima e se pergunte: seu trabalho funciona como nômade digital?
A gente já tinha essa resposta. Somos produtores de conteúdo desde 2013 e, por isso, sabíamos que essa é uma área excelente para trabalhar de qualquer lugar.
Mas vale adiantar: nem tudo que funcionou conosco vai dar certo pra todo mundo. Não é uma ciência exata, com fórmula e decoreba. Só que essas perguntas podem ser a bússola que faltava para você rabiscar suas ideias e também aprender como ser nômade digital.
Dessa maneira, podemos seguir juntos com o planejamento e avaliar como desenvolver seu trabalho como nômade digital.
Eu quero ser nômade digital?
Pode parecer uma questão óbvia, mas se tornar nômade digital é uma decisão que leva tempo, planejamento, disciplina e bastante determinação.
E é legal ter essa certeza quando você poderia ter acalmado esse intenso desejo de viajar com um ano sabático, por exemplo. Ou permanecer na sua cidade mesmo, mas em trabalho remoto.
Percebe a diferença entre essas três situações?
Inclusive, é por isso que a gente queria passar bem longe daquela impressão de “casal largou tudo para viajar o mundo”. O planejamento para se tornar nômade digital foi um pensamento de longo prazo, e calculamos um monte de possibilidades antes de definirmos que essa era a decisão certa pra gente.
Então, pergunte-se se você quer mesmo ser nômade digital. A resposta, independentemente de qual seja, vai definir o seu planejamento.
Como viabilizar o trabalho de nômade digital?
Você já sabe se consegue manter sua profissão como nômade ou se é preciso dar novos rumos à sua trajetória profissional?
A gente trabalha com produção de conteúdo há um bom tempo. Em 2013, pegamos nossos primeiros trabalhos como freelancers enquanto ainda mantínhamos um trabalho fixo. Então, tivemos bastante tempo para descobrir como equilibrar a rotina de viagem e trabalho.
Faça o mesmo. Avalie se você deve estar 100% disponível em horário comercial, por exemplo. Veja também se consegue adiantar o serviço e dividir a semana entre lazer e trabalho.
E, é claro, se você consegue acomodar seu equipamento profissional na bagagem.
Essas questões são particularmente importantes para aprender como se tornar nômade digital e pingar entre viagens internacionais. Isso porque, alguns obstáculos podem surgir no percurso, como:
- conciliar a agenda para marcar reuniões quando é sempre madrugada onde você está;
- resolver problemas quando você está no meio de uma longa trilha na natureza;
- estar disponível para atividades em equipe em locais com baixa infraestrutura de internet.
Nossa dica, para isso, é: mapeie toda a sua rotina de trabalho. Refaça as suas atividades, mentalmente, imaginando-se em outro lugar, sem a mesma infraestrutura atual. As respostas dessa experiência podem ser de grande valor para o seu planejamento até entender como se tornar nômade digital dentro das suas próprias características.
Qual é a renda mensal para viajar e trabalhar?
Para essa questão, a resposta varia do seu perfil de viajante.
E também dos locais que você pretende viajar, sem dúvidas.
A princípio, foi um desafio definir nosso orçamento. E a solução que encontramos trouxe imensa satisfação pra nós dois: dividimos nossa viagem ao redor do mundo por continente.
Assim, conseguimos montar o orçamento levando em consideração a média de custos em cada um deles. Antes de planejar o roteiro de viagem, então, a gente conseguiu avaliar a renda mensal que necessitávamos para viabilizar nossas despesas, onde quer que estivéssemos.
Para isso, usamos bastante a Numbeo, um banco de dados global (e colaborativo com usuários do mundo inteiro) de preços. Isso ajuda a ter uma noção aproximada de quanto custa comer na Tailândia, por exemplo, ou hospedar-se em Portugal.
Tem um monte de estatística que vão ajudar você a descobrir quanto vai custar a sua viagem mensalmente, em média. E, consequentemente, definir qual deve ser a sua renda mensal.
Dica: também considere o planejamento de uma reserva financeira de emergência.
O nômade digital pode passar por todo tipo de imprevisto. Freelancers, inclusive, especialmente nos meses de baixa demanda. A reserva financeira pode ser um auxílio e tanto para evitar que alguma despesa extra acabe com o seu orçamento antes do previsto.
Idealmente, considere uma reserva para se manter por um ano sem a necessidade de trabalhar.
Mas isso não é regra. Nós começamos a vida nômade com uma reserva de emergência de seis meses. Isso, considerando a média de despesas para uma viagem pela Ásia.
E se não der certo?
Mesmo após três anos de viagem, ainda nos perguntamos a mesma coisa.
Mas não é esse mesmo tipo de insegurança que costuma ancorar a gente, independentemente do objetivo que tenhamos em mente?
Por isso, em vez de nos afetar pela dúvida, buscamos respostas para essas interrogações sobre como se tornar nômade digital e manter esse estilo de vida sustentável.
Um exemplo: somos freelancers e, vira e mexe, temos que buscar novos clientes para manter a renda mensal que estipulamos.
Às vezes, o salário é menor do que o necessário. Em outros meses, conseguimos mais trabalho para compensar os desfalques anteriores.
E sempre podemos contar com a reserva de emergência, também.
Outro exemplo: o computador quebrou e a assistência técnica mais próxima está a dezenas de quilômetros — e um mar inteiro — de distância. Isso aconteceu com a gente, inclusive.
Mas uma das partes mais legais de se tornar nômade digital é a capacidade de adaptação.
Nesse caso, em particular, entramos em contato com nossos clientes. E, aí, renegociamos prazos enquanto e esperamos pelo regresso do computador (que foi enviado de barco para o reparo).
E isso não nos afetou tanto. Afinal, não poderia acontecer o mesmo em um escritório?
Ou trabalhando remotamente de casa?
Claro, cada caso tem as suas particularidades. Mas flexibilidade e adaptação são qualidades muito bem-vindas para tornar sempre possível seu objetivo de se tornar nômade digital.
Uma dica: pratique aos poucos. Trabalhe de casa, primeiro. Depois, realize uma viagem de poucos dias. Adquira confiança, aos poucos, e desconstrua as resistências para fazer seu trabalho como nômade digital.
O que mais considerar para se tornar nômade digital?
Viu como dá para aprender como se tornar nômade digital e tornar esse projeto viável? Respondendo as perguntas do tópico anterior, nós nos sentimos preparados para começar a vida nômade.
Mesmo assim, tem outras questões que ajudam a tornar a jornada menos turbulenta. Olha só:
- exercite bons hábitos financeiros para não estourar o orçamento com frequência;
- tenha um bom seguro viagem previsto nas suas despesas;
- pesquise a disponibilidade (e qualidade) da internet dos seus próximos destinos;
- preveja cenários pessimistas para se adaptar a eles com rapidez;
- acrescente às despesas o reparo e a compra de equipamentos de trabalho.
E se você, em particular, é freelancer como a gente, não se acomode. Pois, como dissemos, a previsão de renda pode mudar, completamente, de um mês para o outro.
Por isso, fique sempre de olho no mercado e permaneça em atualização profissional com cursos e certificações, por exemplo. Assim, você adquire ainda mais capacidade de adaptação — que é uma das grandes lições para quem deseja aprender como se tornar nômade digital.
E se você ficou com alguma dúvida ou quiser compartilhar suas experiências sobre como se tornar nômade digital para acrescentar a esta discussão, deixe um comentário aí embaixo 🙂
AIII AMEEEEEEEI. Conheci vocês há poucos dias e estou viciado nas publicações de vocês no Instagram.
Mês que vem estou indo começar meu Intercâmbio na Irlanda e pretendo juntar o máximo possível para viajar o mundo.
Meu únicos impasses são:
Sou assistente social e massoterapeuta, então nenhuma das minhas profissões consigo fazer remotamente kkkk. Eu escrevo poemas e tenho dois livros publicados (mas nada que tenha chegado em longo alcance kk)
Eu tenho uma preguiça tremenda / timidez de gravar vídeos e afins. Eu ainda associo nômades digitais com Youtubers, e conheço / vejo pessoas que são nómades digitais mas nunca mostraram sequer o rosto. Então pra mim ainda é um entrave
Mas uma hora me aprofundo mais como vocês. Sério, obrigado mesmo pela fofura e trabalho de vocês. Fazem com que sonhadores viciados em Globo Repórter e ver a Glória Maria conhecendo diversos países do mundo continuem sonhando ❤️❤️